O APAGÃO DAS SOLARES E A NECESSIDADE AINDA MAIOR DAS HIDRELÉTRICAS.
- atendimento46416
- 30 de jun.
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Posso começar afirmando que nem toda energia elétrica possui o mesmo valor. Um megawatt disponível quando o sistema precisa vale mais do que um megawatt disponível quando ele é dispensável.
Durante anos, o setor elétrico brasileiro concentrou sua atenção na expansão da oferta de energia. O objetivo era simples: gerar mais eletricidade ao menor custo possível. Esse raciocínio fez sentido por muito tempo. Mas o Brasil de hoje não enfrenta mais o mesmo desafio. O problema deixou de ser apenas produzir energia. O desafio agora é garantir energia disponível quando ela realmente é necessária.
E é justamente nesse ponto que surge uma diferença fundamental entre fontes firmes e fontes intermitentes.
A expansão da energia solar representa um dos maiores avanços da matriz elétrica brasileira. Ela democratizou investimentos, reduziu custos e acelerou a transição energética. Entretanto, existe uma característica física impossível de ignorar: a energia solar produz quando o sol está disponível.
Quando milhares de sistemas solares geram simultaneamente, o sistema recebe enormes volumes de energia em determinados horários. Porém, quando chega o final da tarde, quando o consumo aumenta e a produção solar diminui, a necessidade de fontes firmes reaparece imediatamente.
No Oeste de Santa Catarina, em episódio recente, a companhia elétrica estatal desligou 19 usinas solares exatamente ao meio de um domingo ensolarado de clima ameno e com baixo consumo.
É neste momento que surge a pergunta que poucos estão fazendo: Quanto vale a segurança energética? Quanto vale uma fonte capaz de produzir energia durante a madrugada, em períodos nublados, em momentos de pico de demanda e em situações de estresse do sistema? A resposta é simples: vale muito mais do que atualmente estamos precificando.
O mercado ainda remunera predominantemente a quantidade de energia produzida. Porém, à medida que a participação das fontes intermitentes aumenta, a disponibilidade passa a ser tão importante quanto a própria energia.
Em outras palavras, não basta gerar megawatts. É preciso estar disponível quando o sistema precisa. É exatamente por isso que as pequenas centrais hidrelétricas e as centrais geradoras hidrelétricas possuem um valor estratégico crescente. Enquanto fontes intermitentes dependem das condições climáticas instantâneas, as hidrelétricas entregam previsibilidade, estabilidade e confiabilidade. Não se trata apenas de produzir energia. Trata-se de garantir que ela exista quando for necessária.
O Brasil possui uma das maiores vantagens competitivas do mundo nesse aspecto. Nossa experiência hidrelétrica não representa uma herança do passado. Representa uma vantagem para o futuro.
Quanto maior for a participação da energia solar na matriz elétrica, maior será a necessidade de ativos capazes de fornecer segurança operacional. Essa é uma realidade técnica, econômica e inevitável. Por isso, acredito que estamos diante de uma mudança silenciosa de paradigma.
O ativo mais valioso do futuro não será necessariamente aquele que produzir a energia mais barata. Será aquele capaz de oferecer a energia mais confiável. E quando esse momento chegar, o mercado perceberá que o verdadeiro diferencial não estava apenas na geração de energia, mas na capacidade de garantir segurança ao sistema elétrico. A energia do futuro será renovável. Mas, acima de tudo, precisará ser confiável. E a confiabilidade tem valor.



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